O ambiente era impecável — luz baixa, vozes contidas, o tipo de lugar onde nada parecia acontecer por acaso. Puxei a cadeira para Rafaela, que agradeceu com um olhar discreto antes de se sentar. Minha mãe já estava acomodada, postura irrepreensível, a habitual arrogância silenciosa repousando em seus olhos.
O maître nos entregou os cardápios e se afastou.
Por alguns segundos, o silêncio se instalou. Mas, com minha mãe à mesa, eu sabia que não duraria.
— Então… — ela começou, fechando o cardápio