Capítulo 3

Na manhã seguinte, acordei com o som do mar e dos pássaros.

A luz atravessava as frestas da cortina com suavidade, desenhando o quarto em tons claros e silenciosos. Permaneci imóvel por alguns segundos, observando.

Rafaela ainda dormia ao meu lado.

Os cabelos escuros espalhados pelo travesseiro, o rosto delicado relaxado de uma forma que eu raramente via quando ela estava acordada. Havia algo ali que me prendia — uma calma que eu não estava acostumado a sentir.

Seus olhos se abriram aos poucos, encontrando os meus.

Sorri de leve.

— Bom dia, futura esposa.

Ela sorriu de volta, ainda sonolenta.

— Bom dia…

Aproximei-me o suficiente para beijar sua testa antes de me levantar.

— Vou tomar um banho.

No chuveiro, a água quente caía constante, mas não era o suficiente para silenciar os pensamentos.

Casar nunca esteve nos meus planos.

Não até a noite anterior.

Ou talvez estivesse… desde o dia em que a conheci.

Eu havia mudado o curso da minha vida.

E, dessa vez, não havia espaço para recuo.

O problema não era a decisão.

Era o que viria depois.

Minha família.

Mas isso… eu resolveria.

Saí do banho já com a mente organizada. Quando desci, Rafaela já estava à mesa com os outros, nos jardins da mansão.

A mesa longa, perfeitamente posta, refletia a luz da manhã em louças finas e talheres alinhados com precisão. À frente, a piscina de borda infinita se fundia com o mar, criando a ilusão de que não havia limites entre o azul da água e o horizonte.

Rafaela estava ali… e, ainda assim, parecia um pouco deslocada naquele cenário.

Mais quieta, mais contida.

Clara sustentava a leveza da conversa, enquanto Lorenzo observava tudo com Dominic nos braços, atento como sempre.

Eu apenas tomei meu lugar.

Depois do café, ainda estávamos à mesa quando Rafaela se levantou, avisando que iria arrumar a mala.

Acompanhei seu movimento com o olhar por um segundo a mais do que o necessário.

Lorenzo se levantou logo em seguida, entregando Dominic a Clara antes de me lançar um olhar breve.

— Andrew.

Levantei-me.

Acompanhei-o pelos jardins até o bar da propriedade — um espaço mais reservado, de frente para o mar, onde o vento chegava mais forte e o som das ondas parecia mais próximo.

Ele serviu dois copos com tranquilidade.

— Então — disse, apoiando o copo no balcão e me olhando de lado — você vai me contar ou eu vou ter que adivinhar?

Não hesitei.

— Eu pedi a Rafaela em casamento.

O riso veio imediato, baixo, satisfeito.

— Finalmente.

Ele virou o copo em um gole curto, balançando a cabeça.

Mantive o olhar no mar.

— Vamos casar no civil, Lorenzo. O mais rápido possível. Algo simples. Só nós dois.

Ele se aproximou um pouco mais.

— E ela?

— Aceitou.

Servi outra dose, com naturalidade.

O sorriso dele se abriu de vez.

— Então você acabou de fazer a melhor escolha da sua vida. Rafaela e Clara são como irmãs.

Assenti, sem necessidade de responder.

Afastei-me um passo, já tirando o celular do bolso.

— Vou adiantar as coisas.

— Claro — disse ele, com um meio sorriso. — Eu volto pra mesa.

Esperei até ficar sozinho.

Disquei sem precisar procurar.

— Halston.

— Preciso que você adiante um casamento civil. O mais rápido possível.

O vento batia mais forte ali, trazendo o cheiro salgado do mar enquanto eu organizava tudo em poucas palavras.

— Nome da noiva?

— Rafaela Hernandez.

— Documentação?

— Eu envio ainda hoje.

Houve uma breve pausa.

— Vou preparar licença, registro e contrato prévio. Deixo tudo pronto para assinatura assim que chegarem.

— Ótimo.

Desliguei sem prolongar.

Por alguns segundos, permaneci em silêncio, o telefone ainda na mão, o olhar perdido no horizonte.

Eu havia acabado de resolver um casamento como quem fecha um contrato.

E, de certa forma, para mim, não havia tanta diferença.

O papel não era o que importava.

Era Rafaela.

Tê-la todos os dias comigo.

A manhã seguiu com rapidez até que chegou a hora do nosso voo.

O Rio de Janeiro ficou para trás como uma lembrança quente e breve.

Quando finalmente pousamos, já era madrugada em Manhattan.

Levei Rafaela diretamente para a cobertura.

Nossa cobertura.

As coisas dela poderiam esperar.

Mas nós… não.

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