Caridade que envenena.
Lívia chegou na Rocinha como quem vem em missão de paz. Carro alugado, sorriso ensaiado e roupa de ONG: camiseta branca com a estampa "Projeto Vozes da Favela".
Desceu com uma caixa de folders, acompanhada de duas assistentes. Passou pelo primeiro beco tirando selfie com o fundo da comunidade.
— “É aqui que vamos fazer a diferença”, dizia alto, pra quem quisesse ouvir.
Alicia, que tava na barbearia do irmão, foi a primeira a notar.
— “Quem é essa Barbie da guerra?”
— “Parece assessora de deputa