O tempo não apaga a dor, mas tem a misericórdia de transformá-la. Ele pega o desespero agudo, aquele que rouba o ar e cega os olhos, e o molda em uma cicatriz silenciosa, suportável e, de certa forma, parte de quem somos.
Seis meses se passaram desde a tarde em que Amélia bateu na porta da mansão do Umarizal.
Foram meses de um isolamento estritamente necessário. No início, a convivência entre Amélia e Adelaide era feita de silêncios cautelosos. Houve dias em que a jovem não conseguia sair da ca