A luz que filtrava pelas persianas do apartamento de Augusto era pálida e doentia, uma tonalidade cinza-chumbo que parecia aderir às paredes e aos móveis improvisados. O imóvel, que outrora fora o símbolo da rebeldia e da independência de Guto, agora exalava o cheiro de café queimado, cinzas de cigarro e o perfume rançoso do uísque barato que Olavo consumia no canto da sala. No sofá, Anastácia mantinha a coluna ereta por puro reflexo muscular, uma estátua de arrogância cujas rachaduras eram vi