A noite tinha chegado, e o quartinho onde eu estava com Carlinha parecia ainda menor. O cheiro mofado misturado com o som abafado dos passos lá fora criava um clima de tensão insuportável. Minha filha estava sentada no colchão velho, com os olhinhos brilhando de medo. Eu, por outro lado, tentava manter a postura, mesmo com a angústia me corroendo por dentro.
— Mãe, tô com fome. — Carlinha murmurou, abraçando os joelhos.
Meu coração apertou. Eu queria tanto poder pegar minha menina e levá-la pra