Renata
A chuva começou depois das nove.
Primeiro fina, quase tímida, riscando os vidros enormes do apartamento. Depois engrossou, batendo forte o bastante para abafar o som da cidade e transformar tudo ao redor em um borrão escuro de luzes e água.
Eu estava no sofá, com uma almofada atrás das costas, tentando achar uma posição que não doesse.
Não consegui.
A barriga estava maior, pesada de um jeito bonito e assustador. Às vezes, eu me olhava no espelho e mal reconhecia meu próprio corpo. Havia