Renata
A chuva começou antes do almoço, fina e insistente, deixando a vitrine da livraria embaçada como se o mundo do lado de fora estivesse tentando esconder alguma coisa.
Eu estava no caixa, conferindo uma pilha de livros usados, quando o sino da porta tilintou.
Levantei os olhos por instinto.
O homem que entrou não parecia cliente.
Terno cinza. Sapatos caros. Pasta de couro preta presa junto ao corpo. Cabelo alinhado demais para quem tinha acabado de atravessar uma calçada molhada. Ele olho