CAPÍTULO 5 — CONFIRMAÇÃO

CAPÍTULO 5 — CONFIRMAÇÃO

Davi Ferraz não acreditava em suposições.

Ele confirmava.

Sempre.

E foi exatamente isso que fez.

***

— Quero o resultado hoje.

A ordem foi direta, sem espaço para questionamento.

Do outro lado da linha, o médico hesitou por um segundo.

— Senhor, exames desse tipo—

— Hoje.

Davi desligou antes de ouvir qualquer resposta.

O celular foi deixado sobre a mesa com mais força do que o necessário.

Aquilo já estava passando do limite.

Não era sobre ela.

Não era sobre aquela noite.

Era sobre controle.

E, naquele momento…

ele não tinha nenhum.

Caminhou até a janela do escritório, observando a cidade lá embaixo.

Movimento.

Caos.

Pessoas indo e vindo.

Tudo acontecendo.

Tudo… normal.

Mas dentro dele, não havia nada normal.

A lembrança da conversa voltou.

A forma como ela falou.

A firmeza.

A ausência de medo.

E, principalmente…

a ausência de interesse.

Aquilo não fazia sentido.

Porque, na experiência dele, mulheres queriam algo.

Sempre queriam.

Dinheiro.

Status.

Segurança.

Mas Isadora…

não quis nada.

E isso…

era o que mais o incomodava.

***

O telefone tocou.

Davi atendeu no primeiro toque.

— Fale.

— Já temos o resultado.

Silêncio.

Curto.

Tenso.

— E?

Do outro lado, o médico respirou fundo.

— A gravidez é confirmada.

O mundo parou.

Não de forma dramática.

Não com impacto imediato.

Mas com algo pior.

Uma pausa.

Fria.

Pesada.

Irreversível.

— Há quanto tempo?

— Pelos exames, recente. Compatível com o período que o senhor indicou.

Cada palavra era precisa.

Cirúrgica.

E definitiva.

Davi não respondeu de imediato.

A mão apertou levemente o celular.

Os olhos fixos em nada.

Porque, pela primeira vez…

não havia como negar.

Não havia como descartar.

Não havia como ignorar.

Era real.

— Entendi.

A voz saiu baixa.

Controlada.

Mas não totalmente.

— Precisa de mais alguma coisa?

— Não.

A ligação foi encerrada.

E o silêncio…

voltou.

***

Davi permaneceu parado.

Imóvel.

Pensando.

Mas não como antes.

Antes, ele analisava.

Calculava.

Decidia.

Agora…

ele processava.

E havia uma diferença enorme nisso.

Porque aquilo não era um problema de negócios.

Não era um contrato.

Não era algo que pudesse ser resolvido com dinheiro.

Era algo que ele não tinha planejado.

Algo que ele não controlava.

E isso…

o irritava profundamente.

Passou a mão pelo rosto, tentando organizar os pensamentos.

Mas não havia organização possível.

A imagem dela voltou.

Mais forte.

Mais nítida.

O olhar firme.

As palavras diretas.

“Você não tem esse direito.”

Ele apertou o maxilar.

Porque agora…

ela tinha razão.

E aquilo foi pior do que qualquer confronto.

***

Do outro lado da cidade, Isadora organizava documentos sobre a mesa.

Tentava manter a rotina.

Tentava manter a normalidade.

Mas o silêncio dentro do apartamento parecia diferente.

Como se algo estivesse prestes a acontecer.

E talvez estivesse.

Ela parou por um segundo, fechando os olhos.

Respirando.

Tentando manter o controle.

Mas, no fundo…

sabia.

Davi não era o tipo de homem que deixava algo assim em aberto.

E, mais cedo ou mais tarde…

ele voltaria.

***

No escritório, Davi pegou o paletó.

Movimento rápido.

Decisão tomada.

Sem reunião.

Sem aviso.

Sem planejamento detalhado.

Algo extremamente raro.

— Cancelar minha agenda.

— Senhor?

— Agora.

Ele não esperou resposta.

Saiu.

***

A cidade parecia mais lenta.

Ou talvez fosse ele.

Porque, pela primeira vez em muito tempo…

Davi não estava pensando em estratégia.

Estava pensando nela.

E naquilo que agora existia.

Algo que não podia ser ignorado.

Algo que não podia ser descartado.

Algo que mudava tudo.

E, ainda assim…

não era isso que mais o incomodava.

Era o fato de que…

ela não precisava dele.

***

A campainha tocou novamente.

Isadora congelou.

Por um segundo.

Dois.

Três.

E então…

respirou fundo.

Sabia quem era.

Não havia dúvida.

Caminhou até a porta.

Mais calma.

Mais firme.

Mais preparada.

Quando abriu…

Davi estava ali.

De novo.

Mas dessa vez…

diferente.

Não havia arrogância.

Não havia desprezo.

Mas também não havia suavidade.

Era algo no meio.

Algo que ela ainda não conhecia.

— É verdade.

Ele disse.

Sem introdução.

Sem contexto.

Sem nada.

Apenas isso.

Isadora o encarou.

— Eu sei.

— Eu confirmei.

O silêncio caiu.

Mas não era mais o mesmo silêncio de antes.

Era outro.

Mais carregado.

Mais perigoso.

— E agora? — ela perguntou.

Simples.

Direto.

Mas com um peso enorme.

Davi sustentou o olhar.

Por mais tempo dessa vez.

Analisando.

Pensando.

Mas, no fundo…

sabendo que não havia resposta fácil.

— Agora…

ele começou.

Mas parou.

Porque, pela primeira vez…

não tinha controle da situação.

E isso…

mudava tudo.

Isadora cruzou os braços.

Esperando.

Sem pressa.

Sem ansiedade.

Sem nada.

Porque, diferente dele…

ela já tinha aceitado.

E isso a colocava à frente.

Davi respirou fundo.

E então disse:

— Isso não vai ficar assim.

O impacto foi imediato.

Mas não da forma que ele esperava.

Porque Isadora não se abalou.

Não recuou.

Não reagiu.

Ela apenas respondeu:

— Isso já ficou assim.

E, naquele momento…

pela primeira vez na vida…

Davi Ferraz percebeu algo que nunca tinha sentido antes.

Ele não estava no controle.

E talvez…

nunca mais estivesse.

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