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CAPÍTULO 4 — VOCÊ NÃO TEM ESSE DIREITO

CAPÍTULO 4 — VOCÊ NÃO TEM ESSE DIREITO

A campainha tocou.

Uma vez.

Duas.

Três.

Isadora franziu a testa, ainda de camisola, sem esperar ninguém àquela hora. Já era noite. Tarde demais para visitas. Tarde demais para surpresas.

Mas algo dentro dela…

travou.

Como um alerta silencioso.

Ela caminhou até a porta devagar, o coração acelerando sem motivo claro. Quando olhou pelo olho mágico…

o mundo parou.

Davi Ferraz.

O ar sumiu.

Por um segundo, ela pensou em não abrir.

Deixar ele ali.

Ignorar.

Fingir que não estava em casa.

Mas aquilo não combinava com ela.

Nunca combinou.

Isadora respirou fundo.

E abriu.

— O que você está fazendo aqui?

A voz saiu firme.

Mas o coração…

não.

Davi a analisou por alguns segundos.

Silencioso.

Como sempre.

Como se estivesse encaixando peças.

Como se estivesse confirmando algo.

— Podemos conversar?

Não houve arrogância.

Não houve desprezo.

Mas também não houve pedido.

Era… controle.

Como sempre.

Isadora cruzou os braços.

— Eu achei que já tinha deixado claro que não voltaria.

— E você deixou.

A resposta veio imediata.

— Então por que você está aqui?

Silêncio.

Davi passou os olhos pelo ambiente atrás dela, como se estivesse avaliando tudo.

Simples.

Pequeno.

Organizado.

Nada ali combinava com o mundo dele.

E, ainda assim…

ele entrou.

Sem pedir.

Sem esperar.

— Ei—

— Eu preciso de respostas.

Ele interrompeu, direto.

Isadora fechou a porta devagar, virando-se para ele.

— Respostas?

Ela soltou uma leve risada, sem humor.

— Você perdeu esse direito quando disse que eu podia procurar seu advogado.

O golpe foi certeiro.

Davi não reagiu.

Mas absorveu.

— Eu quero saber se é verdade.

Direto.

Cru.

Sem rodeios.

Isadora o encarou.

— Você acha que eu mentiria sobre isso?

— Eu não conheço você.

A resposta veio fria.

Mas não cruel como antes.

Diferente.

Mais… cautelosa.

— Exatamente — ela respondeu. — E mesmo assim você já decidiu quem eu sou.

Silêncio.

Pesado.

Carregado.

Davi deu um passo à frente.

— Eu não tomo decisões sem base.

— Não?

Ela ergueu levemente o queixo.

— Porque pareceu bem fácil me descartar.

Aquilo ficou no ar.

Denso.

Incômodo.

E, pela primeira vez…

Davi não teve resposta imediata.

O que, para ele, era raro.

Muito raro.

— Eu não estou aqui para discutir aquela noite.

— Claro que não — ela rebateu. — Porque pra você foi só isso, não foi?

A tensão aumentou.

Mas Isadora não recuou.

— Um erro.

— Foi o que você disse.

Ela se aproximou.

Agora mais perto.

Agora mais firme.

— Então não entendo por que isso ainda importa pra você.

Davi a observou.

Em silêncio.

Mais uma vez.

Como se estivesse vendo algo novo.

Algo que não tinha notado antes.

E aquilo…

o incomodava.

— Eu preciso ter certeza.

Isadora soltou o ar, cansada.

— Não.

Simples.

Direto.

Irreversível.

Davi estreitou levemente os olhos.

— Não?

— Você ouviu.

Ela cruzou os braços novamente.

Proteção.

Defesa.

— Eu não te devo nada.

Aquilo bateu diferente.

Porque não era um pedido.

Não era uma tentativa de convencê-lo.

Era… verdade.

E verdades assim…

não são negociáveis.

— Se isso for verdade — ele começou, controlado — muda muita coisa.

— Pra você.

Ela corrigiu.

— Pra mim, já mudou.

Silêncio.

E então…

Isadora fez algo que ele não esperava.

Virou-se.

Como se estivesse encerrando a conversa.

Como se ele não fosse mais necessário.

— Você já sabe o suficiente.

— Isadora—

— Não.

Ela o interrompeu.

E dessa vez…

com força.

— Você não tem esse direito.

As palavras saíram firmes.

Carregadas.

Definitivas.

Davi ficou imóvel por um segundo.

Dois.

Três.

Aquilo não acontecia com ele.

As pessoas não falavam assim com ele.

Não o cortavam.

Não o ignoravam.

Mas ela…

fez.

E pior.

Sem medo.

— Você apareceu aqui sem ser convidado — continuou ela —, entrou sem pedir, questionou minha palavra e agora quer respostas?

Ela virou-se novamente, encarando-o de frente.

— Você perdeu esse direito no momento em que decidiu que eu não significava nada.

O impacto foi direto.

E dessa vez…

não passou.

Ficou.

Davi sustentou o olhar.

Mas algo ali…

não era mais o mesmo.

— Eu não disse que você não significava nada.

— Não precisava.

Silêncio.

Pesado.

Irrespirável.

E então…

pela primeira vez…

Davi recuou.

Não fisicamente.

Mas internamente.

Porque aquela conversa…

não estava sob controle.

E isso…

era novo.

Muito novo.

Ele respirou fundo.

— Eu vou confirmar isso.

A voz voltou ao tom habitual.

Frio.

Controlado.

Mas já não era tão firme quanto antes.

— Faz o que você quiser.

Isadora respondeu.

Sem emoção.

Sem entrega.

Sem nada.

— Mas longe de mim.

Aquilo foi o fim.

Davi assentiu levemente.

E, dessa vez…

não insistiu.

Caminhou até a porta.

Abriu.

E antes de sair…

parou.

Por um segundo.

— Se for verdade…

ele começou.

Mas não terminou.

Porque, pela primeira vez…

não sabia o que dizer.

E isso…

o irritou.

Ele saiu.

Sem concluir.

Sem resolver.

Sem controle.

***

A porta se fechou.

E o silêncio voltou.

Mas não era o mesmo silêncio.

Era diferente.

Mais pesado.

Mais cheio.

Isadora permaneceu parada por alguns segundos, tentando processar tudo.

Mas, no fundo…

ela sabia.

Aquilo não tinha acabado.

Aquilo…

estava só começando.

E, dessa vez…

não havia mais volta.

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