Narrado por Marcello
Eu sempre gostei de olhar nos olhos das pessoas antes de destruí-las.
Dmitri Volkov não seria diferente.
O galpão estava silencioso, iluminado apenas pela lâmpada pendurada no teto. Aquele tipo de luz amarela que deixa tudo mais feio, mais sujo, mais desesperador. Perfeito para o que eu queria.
Anya estava amarrada à cadeira bem no centro, pálida, os pulsos marcados pelas cordas. Ela tentava respirar fundo como se isso fosse salvar alguém. Engraçado… parecia forte, mas eu via o medo crescendo no fundo dos olhos dela.
Polina e Darya estavam logo atrás, amarradas também, mas menos importantes. A esposa do Don — essa sim era minha moeda de troca.
Yakov estava ao meu lado, inquieto. Ele sabia que mexer com uma mulher grávida de um Don era o tipo de movimento que acende guerras. Mas ele não me questionava. Sabia o lugar dele.
Eu peguei o celular no bolso e ativei a câmera. O reflexo da luz formou um halo no visor.
Hora do espetáculo.
Apontei a câmera direto para o rost