Narrado por Dimitri Volkov
A mesa do escritório era um campo de batalha sem sangue: mapas dobrados, notas comprimidas, o brilho amarelado da lâmpada. Mikhail ficou em pé diante da escrivaninha com os olhos fundos. Eu não disse nada no começo. Deixei que a presença dele ocupasse o espaço. Aquele homem sempre trouxe as coisas já quebradas — e, de alguma forma, confiou em mim para remontar.
Dimitri: — Fala tudo. Desde o começo. Não quero improviso.
Mikhail: — (respira fundo) Catarina está na casa dos Smirnova, em Roma. Yakov aceitou a proposta de Marcello. O casamento foi marcado. Três dias.
Aquelas palavras não foram um choque — foram um corte. Três dias. Tempo curto. Tempo suficiente para decisões que mudam vidas. Olhei para ele e vi a urgência que o fez cruzar a linha do aceitável: pedir ajuda não como soldado, mas como homem amado.
Dimitri: — Não temos tempo para confronto tolo. Não quero transformar a vida de civis em moeda de troca. Entendeu?
Mikhail: — Entendo. Eu só... não s