Narrado por Anya
A noite estava calma. Aquelas raras noites em que o silêncio parecia um presente. A casa toda dormia, e só a lareira crepitava devagar, lançando sombras quentes pelas paredes do quarto. Eu estava sentada na poltrona, enrolada num cobertor, lendo pela milésima vez o livro que a médica tinha recomendado sobre gravidez — mas a verdade é que eu nem prestava mais atenção nas palavras.
O bebê andava quieto demais desde o almoço, e por mais que a médica dissesse que era normal, meu coração não descansava.
Quando Dimitri entrou no quarto, ainda com o terno, sem gravata e com aquele olhar cansado, a primeira coisa que fez foi me observar em silêncio.
— Por que essa cara? — ele perguntou, aproximando-se. — Aconteceu alguma coisa?
— Ele tá quieto desde cedo — murmurei. — Fico achando que tem algo errado.
Dimitri tirou o casaco e se ajoelhou diante de mim, pousando as mãos na minha barriga com uma delicadeza que ninguém imaginaria ver naquele homem.
— Nosso pequeno é igual ao pai