Narrado por Marcello
O vento gelado de Moscou me acertou como uma bofetada.
O motorista abriu a porta do carro, e o ar frio da Rússia entrou nos meus ossos antes mesmo de eu colocar os pés no chão.
O país cheirava a poder — e sangue.
O tipo de lugar onde homens como eu se sentem em casa.
Eu não vim para negociar.
Eu vim para resolver.
O aeroporto particular ficou para trás enquanto o comboio avançava pelas ruas cobertas de neve. Eu observava a paisagem branca, os prédios antigos, o movimento lento das pessoas nas calçadas. Tudo parecia calmo demais para um lugar onde a máfia dita as regras.
Quando o carro finalmente parou diante da mansão dos Smirnova, Yakov já me esperava na porta, o rosto rígido, o corpo tenso como o de um soldado prestes a receber punição.
Ele tentou disfarçar o nervosismo, mas eu percebi.
Homens como ele sempre tremem quando percebem que falharam com alguém como eu.
Marcello: — Espero que tenha uma boa explicação pra essa viagem inútil que eu precisei fazer.
Yakov