Narrado por Dimitri Volkov
A casa de Don Marcello era exatamente como eu imaginava: pomposa sem precisar ostentar, um misto de luxo antigo e cheiros de madeira velha. O corredor que levava ao escritório do velho Don tinha quadros que lembravam batalhas e retratos de genealogias que, ali, funcionavam mais como advertência do que decoração. Entrei com a calma de quem sabe que está em território adversário mas também com a tranqüilidade de quem carrega sua própria sombra.
Marcello me recebeu de pé, atrás da mesa, olhos como lâminas de gelo estudando o visitante. Havia um sorriso no canto da boca, daquele tipo que mede o tamanho do arrogante à sua frente.
Dimitri: — Don Marcello. — falei, firme, sem cerimônia.
Marcello: — Dimitri Volkov. Você veio pessoalmente? Não é prudente que você viaje sozinho até aqui, jovem… — ele falou devagar, escolhendo as palavras como quem monta uma armadilha verbal.
Fiquei parado, apreciando o tom. Não vim para discutir etiqueta. Vim para fechar o assunto que