Narrado por Dmitri Volkov
A madrugada ainda nem tinha se despedido do horizonte quando chegamos à pista particular. O ar gelado de Moscou cortava o rosto como navalha, e o ronco grave dos motores ecoava pelo espaço aberto. À nossa frente, o jato preto da Volkov Corporation brilhava sob as luzes azuis da pista — discreto por fora, mas equipado com o que há de mais caro no mundo por dentro.
Vi Mikhail ajeitando o casaco e observando o avião como quem encara um campo de batalha.
Dmitri: — Ainda dá tempo de desistir.
Mikhail: — Desistir nunca foi o meu estilo, Don.
Dmitri: — Hoje não tem “Don”. Hoje é só Dmitri e Mikhail.
Mikhail: — (rindo) Tá bom, Dmitri. Mas se der merda, o Don é que vai resolver.
Subimos as escadas e entramos. O interior do jato era silencioso, forrado de couro escuro, com luz suave e garrafas de whisky nas prateleiras. O piloto nos cumprimentou com um aceno breve e recebeu as ordens.
Dmitri: — Vamos decolar direto pra Roma. Sem escalas.
Piloto: — Sim, senhor. A rota e