Narrado por Dmitri
Acordei com um estalo no vidro da sala — o alarme que mandei instalar quando ainda desconfiava de tudo — e soube antes de abrir os olhos que algo estava errado. O silêncio da casa tinha gosto metálico. Levantei num salto; a primeira coisa que veio à cabeça foi: Anya.
Corri para o escritório. O telefone vibrou na mesa. Era Mikhail; a voz veio cortada, pesada pela raiva e pelo medo.
Mikhail: Don... sequestraram a Anya.
Dmitri: O quê? Onde? Fala agora!
Mikhail: Levaram também a Polina e a Darya. Vieram com um plano... pegaram elas quando saíram para dar aula. Estão no galpão perto da antiga serraria. Estão vivas, mas assustadas.
Senti o chão abrir. A sala girou; a primeira reação foi animal — sangue nos ouvidos, pulmões querendo saltar do peito. Só depois vieram as coisas práticas. Primeiro: Anya nas mãos de outro. Depois: a fúria.
Dmitri: Onde está você agora? Quem confirmou isso?
Mikhail: As câmeras... conseguimos recuperar imagens. Foi limpo rápido, mas deu pra ver.