Mundo de ficçãoIniciar sessãoTrês dias.
Esse foi o tempo que Alana conseguiu desaparecer. Três dias tentando convencer a si mesma de que tinha controle da situação. Três dias fingindo que ele não existia. Que aquela noite não tinha acontecido. Que Kael era apenas um erro… Que ficaria no passado. Mas, no fundo… Ela sabia. Homens como ele não aceitavam ser ignorados. Não aceitavam perder. E muito menos… serem esquecidos. Alana mudou tudo. Seus caminhos. Seus horários. Seus hábitos. Desligou o celular. Evitou qualquer lugar que pudesse cruzar com ele. Fez de tudo para sumir. Para desaparecer de verdade. Mas o medo não passava. Crescia. Se arrastava dentro dela. Como um aviso constante. Naquela tarde, o céu estava fechado. Pesado. O vento frio batia contra seu rosto enquanto ela caminhava rápido pela rua. A bolsa apertada contra o corpo. O coração acelerado. Ela olhou para trás. Nada. Mesmo assim… A sensação não ia embora. — Isso é coisa da sua cabeça… — murmurou. Mas não era. O som de um carro freando fez seu corpo inteiro travar. Um carro preto parou ao lado dela. Devagar. Preciso. Como se já soubesse exatamente onde ela estaria. O ar ficou pesado. Difícil de respirar. O vidro desceu lentamente. E então… Ele. Kael. O olhar dele estava diferente. Mais frio. Mais duro. Mais perigoso. Como se os três dias tivessem despertado algo pior dentro dele. — Entrando — ele disse. Simples. Direto. Sem emoção. Não era um convite. Era uma ordem. Alana respirou fundo, tentando reunir coragem. — Eu não vou. O silêncio que veio depois foi sufocante. Kael abriu a porta do carro. Saiu. Devagar. Sem pressa. Como alguém que sabia que já tinha vencido. A presença dele mudou tudo. As pessoas ao redor começaram a se afastar. Algumas abaixaram a cabeça. Outras atravessaram a rua. O clima ficou pesado. Tenso. Ele parou na frente dela. Perto demais. Dominando completamente o espaço. — Você acha mesmo que pode fugir de mim? A voz era baixa. Mas carregada de algo perigoso. Alana ergueu o queixo. Mesmo com o coração disparado. — Eu não pertenço a você. O olhar dele escureceu. Lentamente. Ele deu mais um passo. Agora não havia distância. Nenhuma. — Ainda não — ele disse, perto do ouvido dela. — Mas vai. Um arrepio percorreu o corpo dela. Contra a vontade. Contra a razão. — Fica longe de mim — ela disse, tentando manter firmeza. Mas a voz traiu. Levemente. Kael percebeu. E sorriu. Frio. Confiante. — Você não quer isso. — Quero sim. — Não quer. O coração dela disparou. Porque ele parecia enxergar além. Sempre. — Você deveria ter ido embora naquela noite — ele continuou. — Eu fui. — Não o suficiente. Antes que ela pudesse reagir… Ele segurou a cintura dela. Puxando-a contra o corpo dele. Sem esforço. Sem resistência. — Me solta — ela sussurrou. Mas não se afastou. O rosto dele se aproximou. A respiração quente tocando a pele dela. — Você sente isso também. O silêncio respondeu. Porque ela sentia. E isso a irritava. A assustava. E a atraía ao mesmo tempo. — Isso foi um erro — ela disse, mais firme dessa vez. Kael inclinou a cabeça. Observando. Analisando. — Então por que você ainda pensa nisso? Ela não respondeu. Não conseguiu. Porque ele estava certo. O olhar dele desceu lentamente. Observando cada detalhe dela. Como se estivesse memorizando. Foi então… Que ele percebeu algo. Um pequeno gesto. Quase imperceptível. A mão dela indo até a barriga. Por instinto. Os olhos dele estreitaram. — O que foi isso? Alana congelou. O coração disparou. — Nada. Ele não acreditou. Claro que não. Kael segurou o pulso dela. Levemente. Mas firme. — Você tá escondendo alguma coisa. — Eu não tô. O olhar dele ficou ainda mais intenso. Mais perigoso. — Eu odeio mentira. O ar ficou pesado. Alana puxou o braço. — Eu não te devo explicação nenhuma. Silêncio. E então… Ele soltou uma risada baixa. Sem humor. — Deve sim. Ele se aproximou de novo. Agora mais sério. Mais direto. — Você sumiu. — Eu quis. — Eu não permiti. O coração dela disparou novamente. — Você não manda em mim. Ele se inclinou. Muito perto. — Eu mando em tudo que me interessa. E o jeito que ele disse… Deixou claro. Ela estava incluída. Alana sentiu o mundo girar. Porque, pela primeira vez… Ela percebeu o tamanho do problema. Ela não estava lidando com um homem comum. Estava lidando com alguém… Que não aceitava perder. — Isso acabou — ela disse, reunindo coragem. Kael ficou em silêncio por alguns segundos. Apenas olhando. Então… Sorriu. Mas não era um sorriso leve. Era perigoso. Quase sombrio. — Não, Alana… A voz dele saiu baixa. Segura. Definitiva. — Isso só começou. O coração dela disparou. E naquele momento… Ela teve certeza. Fugir não seria suficiente. Porque Kael… Não deixava ninguém ir. E o pior… Ele estava começando a desconfiar.






