Grávida do Dono da Máfia Que Me Comprou
Grávida do Dono da Máfia Que Me Comprou
Por: Burn knight
1.1 O Mesmo Inferno

Dante

O sangue já estava seco na minha mão, mas mesmo assim passei o pano de novo.

Mais por costume do que por outra coisa.

O homem na cadeira ainda respirava, embora já fosse difícil dizer até quando. A cabeça caída, o corpo largado, como se já não estivesse mais ali por completo. Ainda assim, quando ouviu meus passos, tentou se mexer.

Segurei o rosto dele e levantei um pouco.

Me questiono ainda o quanto quero viver essa rotina infernal, rodeado de homens, afazeres regras. Sem nenhuma paz, felicidade.

Sem ela...

— Olha pra mim.

Demorou, mas conseguiu.

— Já deu, Dante — Matteo disse atrás de mim. — Ele não vai aguentar muito mais.

— Aguenta.

— Quem te mandou?

Nada.

Ele tentou abrir a boca. Por um segundo, achei que ia sair alguma coisa.

Mas não saiu.

Só ar.

— Eu resolvo — Matteo falou, vindo mais perto.

Olhei pra ele.

— Ainda não.

Ele sustentou um segundo… depois recuou.

Voltei pro homem.

Esperei.

Ele tentou de novo.

Nada.

— Já era.

Puxei a arma e atirei.

O tiro bateu no galpão e voltou seco.

— Podia ter feito isso antes — Matteo disse.

— Podia.

Continuei andando sem olhar pra trás.

Matteo veio junto, acendendo um cigarro.

— Perda de tempo do caralho. O cara não ia falar porra nenhuma.

— Eu precisava ter certeza.

— E aí? Tem?

— Tenho.

O cascalho estalava sob o sapato enquanto a gente seguia até o carro.

— Então fala logo — ele soltou a fumaça. — Quem?

— Ainda não sei.

Ele riu pelo nariz.

— Que beleza. A gente fode a noite inteira pra sair com “não sei”.

— Se fosse qualquer um, ele já tinha aberto a boca.

Matteo ficou em silêncio por um segundo.

— Então é alguém que mete medo de verdade.

Abri a porta do carro.

— Não é gente de fora.

— Puta que pariu…

Ele entrou e jogou a cabeça no banco.

— Falando em dor de cabeça… o conselho quer reunião. Esses velhotes não te darão um momento de paz, irmão, porra, você precisa superar!

Já sabia.

— Quando? — Pergunto ignorando o resto de sua sentença insignificante para mim. 

— Amanhã cedo. Disseram que é urgente.

Soltei um riso baixo.

— Claro que é. Sempre essa porra.

— Já sabe o assunto — ele falou.

— Não tem outro assunto que interesse eles, você sabe.

Fiquei um segundo em silêncio antes de completar:

— A porra de uma esposa do caralho.

— Sempre o mesmo.

Passei a mão no rosto, já sem paciência só de imaginar a reunião.

Velhos querendo decidir minha vida. Escolher mulher. Falar de herdeiro como se fosse negócio.

Que se fodam.

Matteo soltou fumaça pela janela.

— Vai fazer o quê depois da reunião?

Liguei o carro.

— O de sempre.

Ele riu baixo.

— Aquela boate de novo?

Olhei pra frente enquanto o portão começava a abrir.

— Pelo menos lá eu consigo esquecer por algumas horas.

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