Mundo de ficçãoIniciar sessão
O ambiente do restaurante era abafado pelo luxo discreto. Dmitri Volkov estava sentado diante de Amélia Harrison. Ele não havia tocado no vinho, apenas observava a mulher à sua frente através do cristal da taça.
— Estou ciente sobre sua situação, srta Harrison, começou Dmitri, com um leve sotaque, a voz rouca e direta. — Sei que não tem o suficiente para garantir os custos médicos de sua filha. Amélia sentiu um calafrio. Ela não perguntou como ele sabia sobre sua vida, homens assim simplesmente possuíam as respostas que interessam. — Por que estou aqui, Sr. Volkov? Perguntou, mantendo a voz firme. Dmitri inclinou-se para a frente, os ombros largos dominando o espaço da mesa. — Um contrato — disse ele, a expressão séria. — Quero que seja minha esposa, Moya milaya... (Minha querida...) . Em termos legais e públicos, você será a Sra. Volkov. Eu ofereço a você uma vida de conforto absoluto, luxo e, acima de tudo, proteção total para você e sua filha. Ela terá o melhor. Amélia piscou, o coração batendo contra as costelas. Olhou para o homem imponente à sua frente, tentando processar a proposta. Nada é de graça. Nunca. E oferecer tanto, custaria caro. — E em troca? — ela sussurrou. — O que você espera de uma esposa por contrato? — Perfeição e lealdade — Dmitri respondeu de imediato. — Preciso de uma mulher que saiba se portar, que seja minha parceira em eventos sociais e que mantenha a fachada da nossa vida doméstica impecável. Você não fará perguntas desnecessárias, obediência total. Ele fez uma pausa, observando-a. — Preciso de uma aliada. Alguém que não se quebre sob a pressão do meu mundo. - Minha filha... - Vou garantir a segurança das duas 24 horas por dia, ninguém vai tocar em vocês. Amélia olhou para ele, a segurança de sua filha era o que mais importava e o tratamento. — Temos um acordo, então? Amélia sentiu o peso do olhar dele, uma pressão física que a empurrava contra o encosto da cadeira. Observava como um gato observa um rato que tenta, bravamente, morder suas garras antes do fim inevitável. - Não é como se tivesse escolha... — A irritação fica bem em você. Dá um toque de cor às suas bochechas, ele disse, a voz baixa e vibrante. — Nós dois sabemos que, neste tabuleiro, você ficou sem casas para onde fugir, Moya volchitsa (Minha loba). Amélia engoliu em seco, ele sabia que ela não tinha opção. — Está bem. Disse, a voz subitamente baixa e derrotada. — Eu aceito. Pelo bem da minha filha, eu serei a sua... esposa. Como faremos? — Agora — Dmitri respondeu friamente. Imediatamente, Yuri Huchova, mais do que um assistente, era o braço direito de Dmitri, amigo de longa data, o mais confiável de todos os homens ao redor do chefe. Yuri se aproximou, retirando uma pasta de couro da parte interna do paletó. Amélia sentiu o sangue fugir do rosto. — Agora? — ela gaguejou. — Mas... e as cláusulas... — Você já aceitou. - Sim... mas isso é muito apressado! Como... vamos justificar esse casamento? - Não preciso me justificar. Dmitri lembrou, inclinando-se para a frente, a voz suave, mas implacável. — E eu não gosto de perder tempo. Enquanto jantamos, você pode ler. Se algo não a agradar, podemos redigir uma emenda agora mesmo. — Você não quer que eu fuja mesmo?!ela sussurrou, com uma resignação amarga. — Sou um homem de negócios, muito eficiente. Ele corrigiu, com um sorriso satisfeito, que fez o estômago dela revirar. Ela suspirou, derrotada, e olhou para ele com um olhar vazio. É isso. A que ponto uma pessoa chega por dinheiro. — O que eu devo fazer então, sr. Volkov? — perguntou ela, o tom de voz beirando o de uma empregada esperando ordens. — Devo assinar com sangue ou apenas esperar que o senhor me diga como devo respirar? Dmitri sorriu, mas desta vez o olhar dele suavizou levemente. - Me dê sua mão. A contra gosto ela estendeu a mão para o russo. Com movimentos lentos, ele a segurou com uma firmeza que beirava a delicadeza, um toque de gentileza fria que era característico de quem domina, mas decide não esmagar. Ele deslizou um anel pelo dedo dela. O encaixe foi perfeito. Amélia olhou para a própria mão. Lindo. O anel era uma obra-prima feito em ouro branco, a peça exibia um aro trabalhado com ramos cravejados com pequenos diamantes que brilhavam como orvalho sob o luar. No centro, repousava uma pedra central de corte redondo de uma pureza hipnotizante, sustentada por uma estrutura meticulosa que lembrava a geometria perfeita de um floco de neve. Os detalhes ao redor da pedra conferiam à joia um ar de relíquia imperial, fria e deslumbrante. Um sonho. Inesperadamente, seus olhos arderam e uma lágrima solitária escapou, rolando por sua face. Dmitri soltou a mão dela e estreitou os olhos, a expressão endurecendo instantaneamente. — O que foi? Perguntou, o tom subitamente seco. — Não gostou? Amélia respirou fundo, secando a lágrima com as costas da mão livre e recuperando o seu escudo de sarcasmo para esconder o quanto aquele gesto a havia abalado. — É lindo, Dmitri. Realmente. Respondeu, com um sorriso amargo. — Não sei como agradecer à sua secretária, pelo excelente bom gosto dela. O maxilar de Dmitri travou. Uma veia pulsou levemente em sua têmpora, e ele se inclinou para a frente, emanando uma aura perigosa que fez os garçons ao longe estancarem. — Eu mesmo escolhi esse anel. Se você vai ser minha esposa, terá que aprender que eu não terceirizo o que considero importante. Amélia ficou atônita. O silêncio que se seguiu foi absoluto. Ela olhou para o brilho gélido do anel em seu dedo e depois para os olhos azuis acinzentados de Dmitri, percebendo que, sob aquela frieza calculada, havia uma intensidade que ela ainda não conseguia decifrar. — Agora, você vai comer. Quanto à Lizzy... A partir de hoje, ela é uma Volkov. Vocês duas.






