Renato me encarou em silêncio, claramente dividido entre a vontade de retrucar e o cansaço que já não conseguia disfarçar. O maxilar dele estava tenso, os ombros rígidos, como se cada palavra minha fosse uma afronta direta ao seu orgulho.
— Desde quando você manda em mim? — murmurou, com a voz rouca.
— Desde o momento em que você quase não consegue ficar em pé — rebati.
Ele respirou fundo, passando a mão pelo rosto.
— Você não faz ideia do que está falando.
— Faço, sim — respondi, sem hesitar. — Estou pedindo que você pare antes de se machucar… ou machucar alguém.
O olhar dele vacilou por um instante. Foi rápido, mas eu vi. E soube que tinha tocado onde doía.
— Me deixe em paz, Sara.
— Não vou deixar — retruquei, teimosa. — Eu não vou permitir que você vá a lugar algum do jeito que está.
— Acha que estou bêbado? — zombou.
— Eu não acho — respondi, sem hesitar. — Estou apenas deduzindo pelo que estou vendo.
— Pare com isso e me solte agora mesmo! — ordenou.
Mas eu não obedeci. Pelo con