48: Ouvindo a conversa alheia

— Patinha feia? — Sara repetiu, rindo de nervoso. — Eu cresci ouvindo você e os nossos pais me chamarem assim desde criança, tantas vezes, que acabei acreditando ser mesmo uma aberração. Mas sabe de uma coisa? Bastou eu sair de casa para entender que eu nunca fui. Eram vocês que me faziam acreditar nessas coisas.

— O que pensa que está dizendo, Sara? — Raquel murmurou, surpresa com a audácia na voz da irmã.

— Estou dizendo a verdade — respondeu, sem hesitar. — Eu nunca fui valorizada em casa porque nunca estive no lugar certo. Nunca fui vista. Tanto que bastou pouco tempo ao lado do Renato para eu perceber o meu valor. — Fez uma pausa, sentindo a voz tremer, mas continuou. — E a prova disso foi hoje à noite.

Do outro lado da linha, o silêncio se prolongou.

— As pessoas me elogiaram, sabia? — acrescentou Sara. — Eu fui admirada, Raquel.

A respiração de Raquel ficou audível, irregular.

— Isso é ridículo — tentou desdenhar, mas a voz já não tinha a mesma segurança. — Você está se iludind
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