O avião estava frio demais, mas Sara não sabia dizer se o arrepio vinha do ar-condicionado ou do homem sentado na poltrona à frente. Desde o dia em que ele entrou em seu quarto, dizendo aqueles absurdos, não o viu mais. Somente se recuperou da cirurgia e, agora, viajava ao lado dele para ser exibida como sua esposa diante de pessoas que sequer conhecia.
Mesmo protestando, dizendo que nunca havia estado no meio de gente estranha e que não sabia como se comportar, ele não lhe deu trégua. Apenas disse que continuasse como sempre foi: calada.
Enquanto Renato descansava na poltrona, ela o observava e percebia que ele havia voltado a ser o mesmo homem frio que conhecera no dia do casamento. O motivo? Ela não sabia. E, naquele momento, também não queria saber. Só queria encontrar um jeito de fazer com que tudo aquilo acabasse logo.
Quando o avião pousou, o primeiro choque de realidade veio à tona. Renato foi recepcionado por pessoas que o tratavam como um deus.
Eles foram levados diretamente