Sara Lemos.
Vi os olhos de Renato faiscarem como fogo. Eu sabia que não devia ter dito aquilo, mas ele apertava meu braço com tanta força que tive certeza de que, se não falasse a verdade naquele momento, as consequências mais uma vez recairiam sobre mim.
Quando terminei de responder, a pressão das mãos dele em meus braços diminuiu. Ele então se afastou, virou o rosto e ficou encarando a janela do lado do motorista, em silêncio.
Eu não o conhecia de verdade, mas sabia, naquele momento, que aquela frase o havia machucado profundamente. E eu culpava Raquel com todas as forças. Se Renato estava agindo daquela forma, era porque tinha sido ferido no lugar mais sensível possível.
— Como ela foi perversa… — ele murmurou depois de um tempo. — Agiu como uma verdadeira vagabunda.
Ele passou a despejar uma sequência de horrores contra ela, palavras carregadas de rancor e desprezo. Eu não disse nada. Nem quis, para ser sincera. O que Raquel havia feito não tinha justificativa alguma, e qualquer t