Vendo que estavam sozinhas na lavanderia, Lorena encarou Odete com expressão nervosa. Seus olhos logo se fixaram na bandeja com o prato que provavelmente havia trazido comida para Sara.
— Por que ousou passar por minhas ordens? — perguntou, visivelmente nervosa.
— Eu só fiquei com pena dela, Lorena — respondeu Odete.
— Não devia sentir nada por ela, ainda mais quando você coloca seu trabalho em jogo.
— Ela estava sem comer até agora, devia ver como estava faminta quando cheguei aqui.
— Eu sei, Odete — retrucou Lorena —, mas foram ordens da dona Constança. E você sabe muito bem que, quando ela é contrariada, acaba descontando a sua ira em quem está ao seu redor, e, no caso, sabe que vou ser eu quem vai acabar escutando suas reclamações o dia todo.
— Me perdoe — respondeu. — Eu simplesmente não consegui ver tudo acontecendo e não fazer nada.
Mesmo não gostando de Sara, Lorena sabia que Odete tinha razão. Não era justo deixar alguém sem comer.
— Tudo bem, eu não vou mais discutir com voc