Leandra Félix
Dois meses.
É estranho pensar que passaram tão rápido e, ao mesmo tempo, tão devagar. A Flórida foi um respiro necessário, uma pausa que eu não sabia que precisava até sentir o silêncio das manhãs, o cheiro do mar entrando pela varanda e o simples fato de acordar longe de tudo que vinha pesando no meu peito.
Mas também foi tempo demais longe de quem realmente importa.
Até as últimas horas antes do voo eu repeti para mim mesma que estava fazendo a coisa certa me recuperar, respirar, reorganizar tudo aqui dentro antes de voltar para a tempestade que, inevitavelmente, sempre me espera no Brasil. Só que bastou o piloto anunciar o início da descida para meu coração correr como se soubesse que estava voltando para casa de verdade.
O avião tocou a pista com aquele baque que quase sacudiu minha alma. Meu peito apertou de um jeito familiar, ansiedade misturada com saudade, medo misturado com esperança. Apertei o cinto até a luz apagar e me levantei junto aos outros passa