Pov Ana Clara
Estou no meu quarto, envolta em um roupão de seda branco que desliza pela minha pele como água fria em um dia de verão. É mais um item desse guarda-roupa absurdo e ostensivo que Gabriel comprou para mim, como se cada peça de tecido caro pudesse apagar a realidade do nosso acordo. A seda é macia, fresca, quase etérea, e o perfume floral que escolhi hoje paira no ar com uma delicadeza que beira o melancólico — notas leves de jasmim e peônia que ainda se misturam ao vapor denso do ba