Augusto Vilar
O metal da moldura do porta-retrato estava frio, mas a imagem que ele continha queimava a minha retina. Era a foto que o Cláudio Fontes tinha postado em suas redes sociais apenas algumas horas antes: Sabrina e eu, no auge da nossa elegância, sorrindo um para o outro como se o resto do mundo fosse apenas um borrão irrelevante. Mas agora, sobre o meu rosto, havia um sulco profundo, violento, feito pela ponta de uma faca ou de um estilete. O corte atravessava meus olhos e descia at