Lian Bianchi
O tilintar dos talheres de prata contra a porcelana chinesa era o único som que preenchia os intervalos das sentenças de morte que minha mãe disparava. O jantar não era uma celebração; era uma autópsia. E Júlia era o corpo sobre a mesa.
Eu observava minha mãe, d’Arcy Bianchi, com uma náusea que o vinho mais caro do mundo não conseguia apagar. Ela usava o sorriso como uma navalha, cortando a dignidade de Júlia com a precisão de quem passou quarenta anos refinando a arte da crueld