Júlia Cavalcante
O silêncio dentro do carro blindado era tão espesso que eu sentia dificuldade em puxar o ar. O asfalto de Porto Alegre passava rápido sob as rodas, mas meu mundo parecia estar girando em câmera lenta. Eu olhei para as minhas mãos, ainda presas entre as de Lian, e depois para o perfil dele. Aquela mandíbula rígida, o olhar fixo na estrada, a aura de um homem que não aceitava nada menos que o controle total.
Eu não podia mais continuar naquele limbo. A segurança que ele me ofer