Hannah Santana
A chuva batia contra a vidraça do ônibus, um som rítmico que me transportava para lugares que eu tentava, a todo custo, manter trancados no porão da memória. Olhei para o meu reflexo borrado no vidro: os óculos de leitura, o coque impecável, a postura de quem carrega o mundo nas costas sem deixar um centímetro de pele curvar. Aquela era a Hannah que o mercado de trabalho conhecia. Mas, por baixo do blazer de linho, havia as cicatrizes de uma guerra que ninguém via.
Eu não nasci