Capítulo 2

Júlia Cavalcante

A mão dele na minha cintura era um âncora e, ao mesmo tempo, um convite para o naufrágio. O barulho da boate tornou-se um zumbido distante, como se estivéssemos dentro de uma bolha onde o oxigênio era composto apenas pelo perfume dele e pelo meu desejo de autodestruição.

Logan tinha me chamado de "recatada", de "tortura". Suas palavras eram lâminas enferrujadas que ele cravava na minha autoestima há anos.

Mas aquele homem... aquele estranho de olhos abissais me olhava como se eu fosse um banquete e ele estivesse faminto há séculos.

— Você disse que não se quebra fácil — ele sussurrou, o hálito quente de uísque premium e menta roçando a concha do meu ouvido. — Mas está tremendo sob as minhas mãos, Júlia.

— É o frio — menti, minha voz saindo em um fio quebrado enquanto eu me pressionava mais contra o corpo dele. Eu podia sentir o volume sob o tecido caro da calça dele, uma promessa rígida de que, naquela noite, eu seria tudo, menos invisível.

— Não é frio. É a fome. E eu tenho exatamente o que você precisa para esquecer qualquer nome que esteja machucando seu coração agora.

Ele não esperou por uma resposta, eu já tinha autorizado.

Sua mão subiu pela minha nuca, os dedos se enroscando no meu cabelo com uma força possessiva que me fez arfar. Ele me guiou para fora da pista, atravessando a penumbra da boate até o elevador privativo que levava às suítes exclusivas do andar superior.

Eu sabia da sua existência por causa da Sabrina, ela me conta tudo sobre o seu trabalho, e que aquelas suítes estão lá por um motivo.

Anonimato e discrição.

O silêncio do elevador era carregado de uma eletricidade estática. Eu o encarei pelo reflexo do metal: a camisa dele estava aberta no colarinho, a gravata pendendo como uma corda de execução para a minha sanidade.

Assim que a porta da suíte se fechou, o mundo explodiu.

Ele me prensou contra a madeira da porta, o impacto enviando uma onda de choque direto para o meu baixo ventre. Suas mãos não eram gentis; eram urgentes, mapeando meu corpo como se estivesse reivindicando um território perdido.

— Diga que você me quer — ele ordenou, a voz rouca, enterrando o rosto no meu pescoço, onde seus lábios começaram uma trilha de beijos mordidos que me fizeram arquear as costas. — Diga que quer que eu apague cada toque, cada lembrança medíocre daquele que te deixou assim...

— Eu quero... — eu gemi, minhas unhas cravando nos ombros largos dele. — Por favor, me faz esquecer que eu existo.

Ele subiu os beijos até encontrar minha boca. Foi um beijo de posse, profundo, com gosto de pecado e libertação. Suas mãos desceram para a minha saia, subindo pelo tecido até encontrar a renda da minha calcinha. Quando seus dedos me tocaram, úmida e pulsante, eu soltei um grito que foi abafado pela sua língua.

— Você é tão quente... — ele murmurou contra meus lábios, as palavras sujas e excitantes agindo como um combustível. — Tão pronta. Ele deve ser um cego por não ver a mulher que você é.

Ele me pegou no colo, minhas pernas se entrelaçaram na sua cintura por puro instinto, e me levou para a cama imensa. A luz da lua entrava pela vidraça, banhando a pele dele em tons de prata. Ele se livrou da camisa em um movimento fluido, revelando um peito definido e ombros que pareciam capazes de carregar todo o peso do meu desespero.

Ele me despiu com uma adoração carnal, seus olhos fixos em cada centímetro de pele que ele revelava. Quando eu estava nua sob ele, eu me senti poderosa pela primeira vez. Não era a "órfã", não era a "encostada". Eu era uma divindade de carne e osso.

Ele desceu pelo meu corpo, seus beijos tornando-se mais lentos e torturantes conforme ele passava pelo meu abdômen. Quando ele se posicionou entre minhas pernas, eu travei por um segundo, a sombra da timidez de Logan tentando voltar.

— Olhe para mim — ele comandou, segurando minhas coxas com firmeza.

Eu olhei. E o que vi foi uma entrega absoluta. Ele mergulhou.

A sensação da sua língua, habilidosa e rítmica, me atingiu como um raio. Ele sabia exatamente onde pressionar, como usar os lábios para criar um vácuo que me fazia perder o contato com a realidade. Eu puxei os lençóis, minha cabeça jogada para trás, enquanto ele me devorava com uma intensidade que beirava o sagrado. Cada palavra suja que ele sussurrava entre os movimentos — elogios sobre o meu sabor, comandos para que eu relaxasse e aproveitasse — me levava mais perto do abismo.

— Isso... — eu tentava falar, mas as palavras eram apenas espasmos de prazer. — Sim, por favor... mais...

Quando o orgasmo veio, foi uma explosão de cores atrás das minhas pálpebras, um grito de libertação que ecoou pelo quarto luxuoso. Mas ele ainda não tinha terminado.

Ele subiu novamente, posicionando-se sobre mim. O olhar dele estava em brasa. Ele entrou em mim com um único impulso firme, preenchendo o vazio que Logan tinha deixado não apenas no meu corpo, mas na minha alma. Cada estocada era um lembrete de que eu estava viva. O ritmo era frenético, a química entre nossos corpos era tão perfeita que parecia que tínhamos sido feitos para aquele exato momento de colisão.

— Você é minha hoje — ele declarou, o suor brilhando em sua testa enquanto ele me possuía com uma ferocidade controlada. — Só minha.

(...)

A claridade me atingiu como um soco. Meus olhos se abriram lentamente, e a primeira coisa que vi foi o teto alto da suíte de hotel, adornado com um lustre de cristal que parecia zombar da minha ressaca. A cabeça latejava, e a boca estava seca como um deserto.

Então, a memória da noite anterior me atingiu em ondas. O uísque. A dança. Os olhos dele. E cada toque, cada palavra, cada gemido que eu soltei naqueles braços. O calor em meu corpo ainda era um lembrete vívido da tempestade que tínhamos sido.

Virei o rosto, e lá estava ele.

O estranho dormia profundamente ao meu lado. Seus cabelos escuros estavam desalinhados no travesseiro de seda, e a mandíbula forte estava relaxada. Sem a intensidade penetrante dos seus olhos abertos, ele parecia... quase vulnerável. Quase. Havia uma força latente em cada traço do seu rosto, mesmo adormecido. Um ar de poder que não era apenas físico, mas inerente à sua própria existência.

Eu me sentei na cama, puxando o lençol para cobrir meu corpo nu. O quarto estava bagunçado, com nossas roupas espalhadas pelo chão, um rastro da paixão desenfreada que nos consumiu. Olhei para o relógio digital na mesa de cabeceira: 5:15 da manhã. O pânico começou a se instalar.

Eu não sabia o nome dele, ele era apenas "o estranho". Um momento de rebelião, uma fuga desesperada da realidade cruel que Logan me impôs. E agora, a realidade estava batendo na porta, exigindo que eu voltasse para a minha vida.

Levantei-me da cama com cuidado, sentindo cada músculo dolorido, mas de uma forma... prazerosa. Peguei minhas roupas do chão, vestindo-as com uma pressa que beirava o desespero. Meu vestido amassado, a calcinha que ele tinha puxado com tanta urgência, o sutiã. Eu parecia ter sido atingida por um furacão, mas o furacão tinha me deixado revigorada, e apavorada.

Olhei para o cartão da empresa amassado que ainda estava na minha bolsa. Meu novo emprego. Meu bilhete para a liberdade. Eu não podia arriscar estragar tudo por causa de uma noite impulsiva com um homem que eu mal conhecia. Uma noite que, por mais incrível que tivesse sido, precisava permanecer uma memória distante e anônima.

Um último olhar para ele. Seus lábios estavam entreabertos, e eu me lembrei da sensação da sua boca em mim, da sua língua provocadora. Um arrepio percorreu minha espinha, mas eu me forcei a ignorá-lo. Eu não podia me apegar. Não podia criar laços com alguém que seria apenas uma lembrança gloriosa.

Peguei minha bolsa, meus saltos na mão, e abri a porta da suíte com o máximo de cuidado. O corredor estava silencioso e vazio. Era como se a cidade inteira ainda estivesse dormindo, enquanto eu, Júlia Cavalcante, estava fugindo do meu próprio despertar.

Apertei o botão do elevador e esperei o coração batendo descompassado. Eu estava deixando para trás um pedaço de mim, uma Júlia imprudente e sedenta de vida. E, ao mesmo tempo, estava levando comigo a prova de que eu era muito mais do que Logan jamais poderia imaginar.

Quando as portas do elevador fecharam, eu não olhei para trás. Eu não sabia quem ele era, e esperava nunca mais descobrir.

- O que foi que eu fiz?

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