Leonel Bianchi
O motor do carro silenciou, mas o bater do meu coração continuou acelerado, um ritmo dissonante em relação à calma urbana que pairava sobre a rua da livraria. Silvia estava ali, ao meu lado, os dedos levemente apoiados no painel, o olhar fixo em algum ponto distante da vitrine. Ela tinha acabado de lançar aquela frase como se fosse um veredito, uma barreira que ela erguia entre nós e o resto do mundo.
— Não quero que a família saiba...
Eu fiquei parado, as mãos sobre o volante,