Júlia Cavalcante
O som da porta de carvalho maciço se fechando atrás de Lian foi como o estalo de uma algema de veludo. Eu estava ali, no epicentro do império de Lian Bianchi, cercada por um luxo que parecia zombar da minha agonia interna. O quarto onde ele me instalara era maior que todo o meu apartamento; uma paleta de cinzas, azuis profundos e sedas que exalavam o poder e a frieza do homem que acabara de me deixar ali.
— Descanse, Júlia — ele dissera, com aquela voz que não admitia réplicas