Júlia Cavalcante
O toque das rodas do jato no asfalto da pista em Porto Alegre soou para mim como o martelo de um juiz anunciando uma sentença. Eu tinha passado as últimas horas em um estado de torpor, uma bolha de segurança irreal onde o ombro de Lian era o meu travesseiro e o cheiro dele era o meu único oxigênio. Mas o sol do Rio Grande do Sul, batendo forte contra a janela de acrílico, estourou essa bolha sem piedade.
Eu precisava sair dali. Eu precisava de distância, de silêncio e, acima