O Incêndio no Gelo
Aaron Meneses
Eu a levei para o meu flat, mas não a deixei na porta para admirar meu lugar. Eu não a queria no carro, nem no saguão, nem na sala de estar. Eu a levei direto para o quarto, o santuário onde, por meses, eu havia me consumido pela culpa e pela solidão. Onde eu havia tentado, pateticamente, me cortar da dor de perdê-la.
Eu fechei a porta e, pela primeira vez na minha vida, o mundo parou de girar em torno de balanços financeiros. Não havia Cat, não havia Meneses Global, nem Duarte & Associates. Havia apenas Lila, e a urgência de dez anos de negação e privação.
Ela estava encostada na porta, a respiração acelerada, os olhos fixos nos meus, cheios da mesma fome que eu sentia. Não havia mais a advogada, a CEO ou a amiga. Havia a mulher que me amava e o homem que, finalmente, se permitia ser amado.
Eu caminhei até ela, lentamente. A sua mão encontrou a minha, e o contato elétrico dissipou o medo.
— Eu esperei por isso por tanto tempo, Lila. — Minha voz est