O Anúncio Silencioso
Lila Duarte
O que faremos agora?
Não era pressão, era a minha forma de dizer que não dava para ficar dentro do apartamento dele nos amando.
Eu não queria a imprensa. Nem Aaron. Depois de toda a publicidade tóxica que cercou o acidente de Cat, o golpe na Meneses Global, e a nossa própria história turbulenta, o nosso amor merecia um batismo de privacidade. A nossa celebração não seria uma manchete, seria um silêncio.
Passamos a noite no flat dele. A frieza daquela cobertura se derreteu, preenchida pelo calor e pela verdade de nossos corpos. Não era apenas paixão; era a libertação de anos de tensão, de negação e de espera.
Na manhã seguinte, acordei aninhada no braço de Aaron. Ele estava me observando, o olhar suave, sem a urgência calculista que costumava ter. Era um olhar de posse, sim, mas a posse do amor, não do capital.
— Bom dia, Dra. Duarte. Como se sente após a ratificação de nosso novo acordo? — Ele perguntou, sua voz rouca de sono.
Antes de adorm