A Voz do Silêncio
Catarina Smith Evans
A escuridão não era total. Era um véu grosso, pesado, que me separava do mundo, mas não o silenciava. O coma era a minha prisão, mas também o meu santuário. Meu corpo estava dormente, minha mente, estranhamente desperta. Eu era uma ouvinte cativa, flutuando em um mar de sedativos e tubos.
Eu ouvia.
No início, eram apenas ruídos indistintos, bips rítmicos e o sussurro constante de algo que eu sabia ser uma máquina respirando por mim. Mas, lentamente,