Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Por: Bárbara Monteiro
capítulo 1

A Entrevista

— A Nicole é melhor do que você, Eloise.

— Em vários aspectos… se é que você me entende.

A frase foi dita em tom baixo, quase educado.

Como se aquilo não fosse uma traição.

— Ela vem de uma família conhecida. Tem nome. Tem estrutura.

— Você… — ele hesitou. — Você fez o que pôde.

Cada palavra caiu como um golpe.

Ela ainda estava de branco.

Ainda segurava o buquê.

Ainda acreditava que amor fosse suficiente.

Não foi.

O relógio da recepção marcava exatamente 8h45 da manhã quando Eloise Nogueira empurrou as portas de vidro da Monteiro Group. O salto firme ecoou no chão de mármore branco, tão polido que refletia seu vestido justo cor vinho — discreto, mas suficiente para acentuar suas curvas invejáveis.

Estava nervosa? Um pouco.

Determinada? Com certeza.

Três meses antes, Eloise aprendera que promessas não seguram ninguém.

Foi deixada no altar pelo homem que dizia amá-la — e traída pela própria família no mesmo gesto.

Nicole, a prima que sempre a invejou.

Desde então, confiar passou a ser um risco que ela não estava mais disposta a correr.

Mas agora, tudo era diferente.

Ela precisava daquele emprego.

E não só pelo salário.

Seu pai, doente e aposentado, mal conseguia levantar da cama nos dias mais difíceis. Os medicamentos estavam caros, e os boletos não paravam de chegar. Eloise não tinha luxo de esperar a sorte bater na porta — havia decidido ir atrás dela.

— Bom dia — disse à recepcionista com um leve sorriso. — Tenho entrevista para a vaga de secretária pessoal do senhor Augusto Monteiro.

A mulher a olhou de cima a baixo, como quem avalia se uma garota assim aguentaria um chefe como “ele”. Engoliu em seco antes de responder:

— Último andar. Sala 15. Ele está te esperando.

Ele.

O nome já vinha carregado de tensão: Augusto Monteiro. Frio, impiedoso, perfeccionista. O homem que comandava um império bilionário como se tivesse nascido para reinar — e talvez tivesse mesmo. Diziam que seus olhos verdes eram capazes de perfurar a alma, e que ninguém durava mais de um mês ao seu lado como secretária.

E ali estava ela… indo direto para a toca do lobo.

O elevador subiu em silêncio. Eloise ajeitou o cabelo longo e escuro, respirou fundo e tentou acalmar o coração. Não era do tipo que se deixava intimidar, mas algo nela sabia: aquele homem ia virar sua vida de cabeça para baixo.

A porta abriu.

Ela bateu duas vezes na imponente porta de madeira escura.

— Entre — veio a voz grave, firme.

Ela entrou, com passos decididos, mesmo sentindo o olhar dele sobre cada centímetro do seu corpo.

Augusto Monteiro ergueu os olhos do notebook. E, pela primeira vez em meses… congelou.

Morena. Corpo marcante. Olhar desafiador.

Não sorria. Não se curvava.

Estava ali como se o mundo tivesse que se adaptar a ela — e não o contrário.

— Eloise Nogueira? — perguntou, com um tom quase entediado, tentando esconder o impacto.

— A própria — respondeu, com um sorrisinho de canto. — Mas pode me chamar de Eloise. Ninguém pronuncia meu sobrenome com a arrogância certa.

Ele arqueou uma sobrancelha.

Atrevimento.

— Sente-se — disse, apontando para a cadeira diante da mesa. — Vamos ver se você tem mais do que uma boca afiada.

— E vamos ver se o senhor Monteiro tem mais do que fama e dinheiro — rebateu, sem pestanejar.

Silêncio.

Tensão.

Olhos nos olhos.

E foi ali, naquela primeira troca de farpas, que Augusto soube:

Essa mulher ia ser o seu inferno particular.

E, talvez…

o único céu que ele ainda poderia alcançar.

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