Os dias passaram devagar.
Não daquele jeito ansioso de quem espera uma resposta —
mas no ritmo cuidadoso de quem se reconstrói.
Sofia melhorava um pouco a cada manhã.
Primeiro sentou sozinha.
Depois caminhou até a janela.
Depois voltou a sorrir sem sentir o peso no peito.
As amigas estavam sempre ali.
Nas conversas leves que não exigiam esforço.
Os pais apareciam quase todos os dias.
Os sogros também.
E Thomas…
Thomas não se afastava.
Ele ajeitava as almofadas antes mesmo que ela percebesse desconforto.
Dava comida quando o cansaço vinha antes da fome.
Ajustava o cobertor.
Observava em silêncio.
Todos os dias, às dezoito horas em ponto, ele chegava.
Sem avisar.
Sem falhar.
Era o horário dele.
A noite era deles.
Quando veio a alta, não houve comemoração barulhenta.
Houve alívio.
E uma decisão silenciosa:
ninguém ia deixar Sofia sozinha.
O apartamento se transformou aos poucos.
Gente entrando e saindo.
Sapatos perto da porta.
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