Nathália precisava de ar.
A mansão estava linda.
Lustres enormes.
Música suave.
Conversas medidas.
Risos calculados.
Mas os olhares…
aquilo a sufocava.
Cada passo ao lado de Ricardo parecia observado demais.
Avaliado demais.
Comentado demais.
Avistou uma pequena varanda lateral e caminhou até lá sem chamar atenção.
Abriu a porta de vidro.
O jardim se estendia enorme diante dela.
Caminhos iluminados por luzes embutidas no chão.
Árvores altas.
Fontes discretas.
A noite morna carregava cheiro de flores.
Ela respirou fundo.
Fechou os olhos por um segundo.
Tentando organizar os pensamentos.
A sensação constante de estar entrando num território que não tinha sido feito para gente como ela.
Ainda.
Ouviu passos atrás de si.
Firmes.
Deliberados.
Antes mesmo de virar…
soube.
Joyce.
— Olha só quem está aqui… — a voz veio doce demais para ser inocente. — Não sabia que secretária podia frequentar eventos assim. Veio como funcionária?
— Eu