Ricardo guardou o relatório numa pasta criptografada dentro do cofre digital do escritório.
Depois fechou o notebook.
Ficou alguns segundos encarando a tela apagada.
Prometeu a si mesmo que só contaria a Nathália quando tivesse absoluta certeza das intenções de Jorge.
Não bastava existir uma possibilidade.
Não bastava datas coincidirem.
Não bastava o sobrenome da mãe dela.
Nathália já tinha passado a vida inteira lidando com a ausência de um pai.
Com silêncios.
Com perguntas que nunca tiveram resposta.
Com a sensação de ser… sozinha no mundo.
Ricardo sabia que, com Jorge, não viria só um homem.
Viriam irmãs.
Uma ex-esposa.
Uma família inteira.
Fortunas.
Empresas.
Heranças.
Expectativas.
E, pior…
disputas.
Ele não podia permitir que isso explodisse sobre ela sem que estivesse pronto para segurá-la.
— Ainda não… — murmurou para si.
Mas o tempo, como sempre, não pediu permissão.
Os dias passaram rápido.
Reuniões.
Telefonemas.
Mensagen