As cartas foram guardadas.
Com cuidado.
Com respeito.
Como se cada envelope fosse uma relíquia.
Ricardo organizou tudo dentro da cesta de vime, uma por uma, fechando-a devagar antes de se virar para Nathália.
Havia uma última carta em sua mão.
Ele estendeu.
— Amor… essa é sua. — disse baixo. — Leia quando quiser. Quando estiver pronta.
Nathália segurou o envelope como se fosse frágil demais para existir.
Apenas assentiu.
Não confiava na própria voz.
Ricardo entrelaçou os dedos nos dela.
E a puxou suavemente para longe do chalé.
Seguiram por uma trilha diferente da que tinham usado para subir.
Pedras.
Mato baixo.
O cheiro da terra ainda úmida.
O vento frio tocando a pele.
Nathália franziu a testa.
— Vamos descer por outro lado?
Ricardo lançou um sorriso pequeno.
De quem guardava surpresa.
— Vamos.
Alguns passos depois…
Ela viu.
Parou.
Piscou.
À frente deles, suspenso por cabos grossos de aço, um teleférico panorâmico cruzava lentame