O trajeto até o Palácio de Seteais parecia saído de outro tempo.
As luzes amareladas da estrada refletiam na lataria do carro, e a silhueta das montanhas de Sintra surgia recortada contra o céu escuro, como se a noite tivesse sido pintada à mão.
Lorenzo dirigia em silêncio, uma mão firme no volante e a outra repousando na minha coxa.
De vez em quando, seus olhos se desviavam para mim, e o canto da boca denunciava um sorriso discreto, quase imperceptível, mas cheio de intenção.
Quando os portões do palácio se abriram, uma sensação estranha tomou conta de mim.
Era o tipo de lugar que impunha presença, colunas brancas, jardins perfeitamente podados, e um caminho de paralelepípedo que levava até a entrada principal, toda iluminada por tochas e luzes âmbar.
De longe, o som discreto de um quarteto de cordas preenchia o ar.
Tudo ali parecia cuidadosamente montado para impressionar.
O carro parou, e um funcionário abriu a porta pra mim.
O ar frio da noite me envolveu enquanto eu saía, e o mur