Capítulo 59

O trajeto até o Palácio de Seteais parecia saído de outro tempo.

As luzes amareladas da estrada refletiam na lataria do carro, e a silhueta das montanhas de Sintra surgia recortada contra o céu escuro, como se a noite tivesse sido pintada à mão.

Lorenzo dirigia em silêncio, uma mão firme no volante e a outra repousando na minha coxa.

De vez em quando, seus olhos se desviavam para mim, e o canto da boca denunciava um sorriso discreto, quase imperceptível, mas cheio de intenção.

Quando os portões do palácio se abriram, uma sensação estranha tomou conta de mim.

Era o tipo de lugar que impunha presença, colunas brancas, jardins perfeitamente podados, e um caminho de paralelepípedo que levava até a entrada principal, toda iluminada por tochas e luzes âmbar.

De longe, o som discreto de um quarteto de cordas preenchia o ar.

Tudo ali parecia cuidadosamente montado para impressionar.

O carro parou, e um funcionário abriu a porta pra mim.

O ar frio da noite me envolveu enquanto eu saía, e o mur
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