A manhã tinha começado como qualquer outra. Reuniões, planilhas, e o som de notificações que pareciam nunca parar. Mas pela primeira vez em dias, Sofia não estava na mesma call que eu.
Era outro cliente, outro tom, outro ar.
E foi libertador.
Apresentei uma nova proposta de campanha, algo mais ousado e emocional, e quando ouvi o “perfeito, Mila, é exatamente isso que procurávamos”, senti uma leveza que há muito tempo não sentia.
Terminei o expediente mais cedo, fechei o notebook e fui direto pra cozinha, onde o aroma de bolo de nozes recém-saído do forno me guiou como uma criança.
Betta já estava sentada, elegante como sempre, uma xícara de chá entre os dedos e o olhar sereno voltado para o jardim.
— Sente-se, querida — disse, indicando a cadeira à frente. — Venha tomar chá comigo!
— Acho que hoje consegui encerrar o dia com a cabeça erguida — respondi, sorrindo, enquanto ela me servia o chá. — O cliente novo aprovou tudo de primeira.
— Sabia que iria. — Betta sorriu, satisfeita. — S