O céu de Sintra parecia diferente naquela noite — mais limpo, mais fundo, como se as estrelas tivessem decidido descer um pouco só pra olhar pra nós.
O vento, antes morno nos primeiros dias, agora trazia o primeiro sinal do inverno. Aquelas boas-vindas portuguesas de sol e brisa suave tinham ido embora, e em seu lugar, o frio finalmente dera as caras.
— Acho que o inverno resolveu aparecer — murmurei, ajeitando o casaco fino que usava desde o Brasil.
Lorenzo me olhou de canto, um sorriso discreto se formando.
— E você não veio preparada pra ele, não é? — disse, já sorrindo antes mesmo que eu confirmasse.
— Nem um pouco — admiti, rindo baixo. — Minha mala é um fracasso em temperaturas abaixo de vinte graus. Acho que subestimei o clima europeu.
— Eu imaginei. — respondeu, destravando o carro e abrindo a porta pra mim. — Por isso já cuidei disso.
— Cuidou? Como assim? — perguntei, franzindo o cenho.
Ele contornou o capô com a naturalidade de quem sempre parece saber o que está fazendo.
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