A fogueira ainda crepitava baixinho quando Lorenzo se levantou e estendeu a mão pra mim.
— Vem.
— Pra onde? — perguntei, meio relutante, aconchegada no calor do fogo.
— Pro carro. Quero te mostrar outra coisa.
A hesitação durou um segundo. Depois disso, deixei que ele me puxasse.
O vento longe da fogueira era mais frio, cortante o bastante pra me fazer encolher os ombros.
Ele passou o braço pelas minhas costas e me guiou até o carro, abrindo a porta com aquele gesto automático, protetor.
Quando entrei, o interior parecia mais quente e envolvente. O ar tinha o cheiro do vinho e da madeira queimada da fogueira.
Lorenzo deu a volta, entrou pelo outro lado e ligou o painel, apenas o suficiente pra acender o interior do carro num tom âmbar suave.
— Deita o banco — disse, num tom baixo.
— O quê?
Ele riu. — Confia em mim.
Segui as instruções. O banco reclinou até quase encostar no assento traseiro, e então a capota começou a deslizar lentamente para trás, revelando o céu de Sintra em toda a