O almoço foi silencioso no começo. O tipo de silêncio que não nasce do desconforto, mas do cansaço — aquele que vem depois de uma guerra que ninguém venceu de verdade.
Betta, sempre serena, cortava o filé com calma, o olhar alternando entre mim e Lorenzo. Pedro tamborilava os dedos na borda do prato, o gesto impaciente denunciando o nervosismo.
E Lorenzo, à minha frente, com o paletó jogado nas costas da cadeira, mexia distraidamente na comida sem tocar de fato no prato.
— Precisamos entender de onde veio esse ataque — ela disse, por fim, rompendo o ar tenso. — Se o que ele disse sobre “inimigos em comum” não era só provocação, alguém se beneficiaria em ver vocês dois desestabilizados.
Lorenzo manteve o olhar baixo por alguns segundos antes de responder:
— E quero todas as possibilidades na mesa. — O tom era grave, pragmático.
Foi nesse instante que o meu cérebro acionou um modo que eu conhecia bem — o modo racional, analítico, o único em que eu conseguia me proteger da avalanche de