O som do mar me despertou antes mesmo da luz invadir o quarto. Um sussurro rítmico, constante, que parecia chamar meu nome.
Ainda estava escuro quando senti o colchão afundar ao meu lado.
Abri os olhos devagar.
Lorenzo estava sentado na beira da cama, o tronco levemente inclinado para frente. O cabelo bagunçado caía sobre a testa, a camiseta pendia nos ombros. Ele parecia cansado — mas havia algo diferente ali.
— Bom dia, dorminhoca — murmurou, baixo. — Te acordei?
Neguei com a cabeça, ainda sonolenta.
— Não… — murmurei. — Só senti você levantar. Tá tudo bem?
Ele demorou a responder. Os olhos continuaram fixos em algum ponto indefinido do quarto, como se estivesse organizando pensamentos que não queriam cooperar. Então passou as mãos pelo rosto, exalando um suspiro pesado.
— Acordei há umas duas horas — disse, por fim. — Não consegui dormir mais.
— E aí pensou em fugir sem mim? — murmurei, estendendo a mão para tocar seu braço. A tensão sob a pele quente era impossível de ig