O calor do fim de tarde deixava o ar pesado, quase pegajoso.
Lorenzo jogou as malas no porta-malas do Mercedes AMG GT prata, e o som grave do motor ecoou pela garagem como um trovão contido.
O couro claro dos bancos estava morno pelo sol, e o cheiro de gasolina misturado ao perfume dele me fez fechar os olhos por um instante.
Quando ele acelerou, o ar-condicionado levou alguns segundos para dar conta, soprando aquele ar frio que contrastava com o calor que vinha de dentro — o tipo de calor que não tem nada a ver com o clima.
As luzes da casa foram ficando para trás — junto com o caos, as perguntas e a sensação de que alguém ainda nos observava, mesmo à distância.
O silêncio tomou conta do carro por longos minutos.
A estrada costeira se desenrolava à frente, curvas acompanhando o contorno do mar, o céu tingido de tons alaranjados e lilás, e o som grave do motor preenchendo os vazios que a gente não sabia como preencher com palavras.
— Vai dar tudo certo — ele disse, enfim, sem olhar pr