Os dias seguintes correram pela casa dos Castellani de um jeito estranho.
Nem lentos, nem rápidos. Apenas cheios.
Lorenzo passava as manhãs trancado no escritório com o pai. Às vezes, saía para atender ligações no jardim, andando de um lado para o outro como se estivesse medindo o chão. Outras, simplesmente desaparecia por horas.
Eu tentava não contar. Na primeira manhã, ainda era fácil.
Ele tinha dito que era algo pontual. Que resolvia rápido.
No segundo dia, já não parecia tanto.
Foi Catarina quem trouxe o assunto, durante o café da manhã, como se fosse apenas mais uma logística doméstica.
— A pessoa que costuma cuidar dos eventos da família teve um imprevisto — comentou, enquanto organizava os pratos. — Vai precisar sair do país por alguns dias.
Vittorio franziu o cenho.
— E justo agora?
— Pois é — ela suspirou. — Com a virada do ano, compromissos, convidados… eu ainda não sei como vamos organizar tudo.
A conversa seguiu, mas algo em mim despertou. Talvez por necessidade